sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago

"Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."
José Saramago

Ao acabarmos de assistir um filme na sessão de cinema (em casa) das Malditas, discutimos, inevitavelmente, sobre qual será o próximo filme escolhido, sobre filmes em geral e outras coisitas.
Ontem não foi diferente.
Conversa vai, conversa vem...
Surgiu o comentário sobre a qualidade do filme “Ensaio sobre a cegueira”.
Um ótimo filme, consenso geral.
Comentei que a história contada na sétima arte tinha sido muito fiel ao livro,o qual é fantástico.
Ainda, referi que me emocionei muito vendo o vídeo no qual Saramago está assistindo o filme supracitado ao lado do diretor Fernando Meirelles.
Uma imagem realmente comovente!
Lembrei que não li o livro mais recente do “Tio José” e coloquei na minha lista imaginária de “livros que preciso ler urgentemente”.

[Pausa]

Com muito pesar, acabo de ler a notícia que o amado escritor faleceu aos 87 anos em sua casa em Lanzarota, nas Ilhas Canárias, nesta sexta-feira.




Outro representante dos “grandes mestres” cruza a tênue linha da vida.
Partiu para outra e foi recebido pela Grande Mãe.
Imagine uma conversa sobre crença com o homem?
Defensor da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e oposicionista ferrenho da Igreja Católica.

Conforme o próprio Saramago declarou:

"como não sou inteiramente burro, ganhei muito cedo a consciência do peso da religião na vida humana. E como, depois, quando se entra em leituras históricas e se encontra com o desastre, digamos, do alargamento da influência do cristianismo, que isso custou cidades destruídas, milhares de pessoas mortas, assassinadas, degoladas, queimadas… As Cruzadas foram qualquer coisa que a Igreja devia pedir perdão!"

Escrevo sem medo de arrependimentos que Saramago já estava imortalizado há muito tempo.
Condição virtuosa conquistada em cada palavra escrita na sua vasta obra literária.

Dificílimo acto é o de escrever, responsabilidade das maiores.(…) Basta pensar no extenuante trabalho que será dispor por ordem temporal os acontecimentos, primeiro este, depois aquele, ou, se tal mais convém às necessidades do efeito, o sucesso de hoje posto antes do episódio de ontem, e outras não menos arriscadas acrobacias(…)

— Saramago, A Jangada de Pedra, 1986

Sobre o exercício da escrita nos blogs, Saramago afirmou:

"A prática do blog levou muitas pessoas que antes pouco ou nada escreviam a escrever. Pena que muitas delas pensem que não vale a pena se preocupar com a qualidade do que se escreve. Pessoalmente cuido tanto do texto de um blog como de uma página de romance".

Quanta responsabilidade responder aos anseios de Saramago!

Por fim, deixo a última reflexão escrita pelo querido português no seu blog:

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.”

R.I.P, meu velho.

9 comentários:

  1. sim, concordo com a citação final; desde que me entendo por gente, tenho um prazer contemplativo em pensar e observar; ninguém me compreende por eu ter uma atividade interior intensa no célere mundo hodierno, ou será que eu sou autista?

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  2. Amiga, não demore para ler "Caim", é ótimo! Adoro ler Saramago, 'Ensaio" está entre os meus preferidos, e ainda não li "Evangelho segundo Jesus Cristo"; li que ele deixou um livro inacabado... pena.
    Bj,

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  3. Hey, mesmo que aqui não seja talvez a hora oportuna, mas lá vai... que legas ficou o teu blog agora, de visual novo Rita!

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  4. Banjo Man,

    "descanse em paz"? Saramago tá é no INVERNO, comunista safado!

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  5. Que inferno que nada! O inferno é aqui, Marcos!

    ;)

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  6. Sinhá Ritinha,

    eu disse inVerno...
    lei de novo.

    haha

    ;P
    Satoru

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  7. ah, sim, entendo a ambigüidade fonética pra ti.

    das ist alle, Volk?
    Marcos

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  8. SINHÁ RITINHA - toada de Noel Rosa

    No mês de maio,
    No tempo da ladainha,
    Foi que eu vi Sinhá Ritinha
    Sobrinha de Nhô Vigário
    Pra Zé Sampaio
    Ela olhou desconfiada
    Tava tão encabulada
    Que caiu o seu rosário.

    Ele apanhou
    O rosário da caboca
    Mas a coragem era pouca
    Pra fala com a mulé
    Depois pensou
    E pra não perder a vaza
    Guardou o rosário em casa
    Pra dá quando Deus quisé.

    Já fez dois anos
    Que ele não vai à capela
    Mas leva o rosário dela
    Pro todo logá que fô
    Não foi engano
    O que disse toda a gente
    Que a sodade de repente
    Tinha virado em amo

    E o Zé Sampaio
    Foi-se embora lá pro Norte
    Pois teve a pio da sorte
    Que se pode imagina
    No Mês de maio
    Quando vortô à capela
    Pra entrega o rosário dela
    Ela não quis aceita.

    Noel Rosa

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Como assim?