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sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Maysa



"Eu só digo o que penso, só faço o que gosto e aquilo que creio. E se alguém não quiser entender e falar, pois que fale!"
parte da letra da música Resposta.

Preciso compartilhar minha nova paixão: Maysa.

Sofro de aversão ao que é comum demais e não foi surpresa me identificar e admirar esta personalidade brasileira. Talvez por ignorância ou por não ser do meu tempo, desconhecia sua história.
Acompanho a série com curiosidade e venço meu orgulho, para tecer elogios a produção e a atriz, Larissa Maciel pelo magnífico trabalho.
Para meu pai, Maysa era imensamente mais bonita que a atriz que a interpreta. Acho que ela foi uma das paixões dele. Pensa que me engana...
Discordo, Larissa possui uma beleza tão gritante que me assusta!
E pra rimar: é gaúcha!
Além disso, talentosa.

Mongando pela net, assisti alguns vídeos, vi mais fotos e acompanhei discussões sobre a cantora.
E pega fogo, minha gente!

Alguns a comparam com Edith Piaf, outros criticam seus excessos, outros a chamam de puta, há os que chamam de Deusa e que finalmente os jovens conhecem uma cantora que possam identificar assim, diferente de Ivete Sangalo. Ainda há os que criticam sua ausência como mãe e da promoção da Globo em cima da nome dela.


No meu caso, considero ela maravilhosa!
Se no contexto atual é difícil ser diferente dos enlatados, realmente diferente e não só cult...imagino tal originalidade no tempo dela.
Seus excessos ou erros não julgo. A putice está nos olhos da moralidade e a ausência como mãe é discutível. Admiro sua voz e a beleza de sua individualidade. Ela não se prendia aos conceitos e formas.Nem a música de fossa muito menos a bossa.

Talvez um espelho do que sempre foi, talvez um espelho do que muitas de nós somos.

No diário uma vez escreveu que...
"Há gritos incríveis dentro de mim, que me povoam da mais imensa solidão"

É esta solidão que não é só desespero e sim, parte do que escondemos na presença do coletivo que procuro exteriorizar, entender, questionar. E que me faz lembrar da minha amada Clarice.

Enfim, sempre enfim...
Paradigmas e suas contestações.


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terça-feira, 30 de setembro de 2008

Clarice por Rita






Acabo de trair minha melhor escritora. Assassino ela em pequenas porções de palavras que sem pensar, brotam da ponta da lapiseira.Quanta traição desta que tanto te ama. Tentar te explicar, delimitá-la na finitude das minhas idéias e sentimentos. Tornou-se tão angustiante te amar em segredo. E como já dizia Cortazar, escritor argentino, quando se põe (expõe) a escrever, mesmo o mais apaixonado dos leitores trai os escritores que leu e que amou.Antes mesmo de explicá-la e me explicar, chego à conclusão (demente?) que Clarice escreveu para mim. Não importa as décadas inevitáveis que nos separaram, sei que cada “it” esta endereçado a minha pessoa. Não me importa se tu não irás acreditar nisto, é um fato. Não brigamos com fatos. Quando li Água Viva tive a impressão que iria morrer a cada página que virava. Não conseguia respirar. Como alguém podia escrever deste jeito? Alguém me entendia.Até que enfim!No mesmo instante que entrava em êxtase por tanta riqueza, inteligência e simplicidade da sua obra, morria em mim qualquer originalidade. Porque se existe algo original, este “it” está em Clarice. Como vou conseguir escrever sem citá-la, copiá-la ou traí-la? Há algo sobre a vida que seja tão original ao ponto de reinventá-lo?Tentei citar para conhecidos alguns trechos teus. Que absurdo! Que fraqueza minha querer mostrar ao mundo a revolução das tuas palavras, compactando-as. Ao escolher uma frase, sabia que deveria citar a anterior e a antepenúltima, a que veio depois e a seguinte. Então percebi, não adianta. Teria que disponibilizar e-books completos se quisesse mostrá-la.Nunca me senti tão cúmplice de alguém e de seu mundo. Um enigma. Uma incógnita. Simples. (É o mais difícil, não?) Arrojada. Angustiada. Perturbada por uma realidade que salta aos seus olhos, aos meus olhos. Ri feliz por saber-te triste. Chora e dói, por descobrir-se alegre e realizada. [?]Uma incessante vírgula, um eterno ponto de exclamação que pergunta. Que anseia. Que espera.Quando pensastes que escrevia para o nada, estava errada. Há vários bichos-Clarices por aí. Eu sou uma deles. Pariu muitas crias enquanto olhava para si, enquanto encontrava em outros.Bem-vinda a minha vida, Clarice!Obrigada por deixar-me entrar na tua. E me perdoe pela traição, sim? Pois te perdôo por ser eu, antes mesmo de saber o que era isso.



Clarice por Rita Ellert.

30/01/07


* sempre Clarice...