|Abre parênteses|
O fato a seguir aconteceu na mesma época que eu ainda acreditava que vivíamos dentro do planeta Terra. Esta teoria foi contestada com a abertura do Casseta e Planeta que mostrava uma cobrinha passeando em um globo em movimento. Fora do globo! Que absurdo! Primeira aula sobre a lei da gravidade.
|Fecha parênteses|
O dia nove de novembro de 1989 seria mais um dia comum. Não de tédio, já que os dias de criança nunca são iguais.
Estava pulando, correndo de um lado para outro e o pai me chamou na sala.
Ele estava parado na frente da tv.
- Filha, olha só! Isso vai mudar o mundo!
O pai explicou algo de um povo separado por não sei lá o quê....Contudo, a imagem de pessoas felizes derrubando um muro por si só, ganhou todo espaço na memória. Talvez pela tenra idade ou por ainda não saber ler aqueles símbolos que passavam voando pela tela da TV.
Pessoas estavam derrubando um muro e este fato, mudaria o mundo. Aquela notícia foi impactante. E as palavras foram proféticas:
E assim foi até que os livros de história, geografia, o tal do lance da guerra fria e os novos paradigmas sobre globalização resgatassem esta lembrança do baú.
Acelera a fita, José.
Vi, nesta semana, uma notícia sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim e não segurei um sorriso de cumplicidade.
Lembrei de uma guriazinha com os olhos hipnotizados na frente da TV, guardando com todo o cuidado a revelação do seu pai.
Hoje, perguntei pro meu velho se o mesmo lembrava da cena vinte anos atrás, acho que não, mas, riu. Os olhos ficaram molhados, não que seja novidade na família...
Disse pra ele:
- Pai, tu falou que ia mudar o mundo.
Ele riu e em resposta:
- Mudou para pior!
Êita! Tive que rir, afinal, além do coração mole, ironia também é um fator genético.
