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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O caos reina.


Domingo de noite, na esperança de relaxar e deixar aquele rotineiro clima de depressão no mais profundo sono, assistimos um filme.
Minhas esperanças não só foram arrancadas como esqueci que deveria relaxar.

O Anticristo:
Um casal (interpretado Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg) devastado pela morte de seu único filho se muda para uma cabana isolada na floresta Éden, onde coisas estranhas e obscuras começam a acontecer. A mulher é uma intelectual escritora que não consegue se livrar do sentimento de culpa pela morte do filho, e ele, um psicanalista, tenta exercer seu meio de trabalho para ajudar a esposa. Anticristo é divido em partes: Prólogo e Epilogo e ainda capítulos que se passam na floresta de Éden: Dor, Luto, Desespero e Os três Mendigos.




O filme é denso, perturbador, fotografia diferente da hollywoodiana, com tons escuros. Até agora não sei distinguir do que poderia ser real do que seria sonho ou imaginação.
O que me apoquentou foi justamente o que depois, apreciei.
Os hábitos e atitudes passivas dos personagens envolvidos sobre o enredo da história.
Não classificaria como um filme de terror, embora tenha ficado apavorada.
Pavor foi a conseqüência frente aos atos passivos.
Poxa, nos filmes de terror as pessoas correm, voltam pro lugar onde está o perigo, são corajosas e fazem coisas movidas por uma adrenalina que eu, no alto da maior cagança, acho totalmente impossível.



Voltando...

Costumo pensar o que faria se tivesse na situação destes personagens de filmes de terror, quantos zumbis mataria, como seria forte e decisiva e blá blá blá.
O que na verdade é pura fantasia...
Quantas vezes, o corpo e cérebro humano ficam imóveis numa situação de medo?
Ou de violência física ou psicológica.
Paralisia total.
Depois pensamos: Ah, deveria ter feito isso e falado aquilo...

Pois é, José.

O tom passivo do filme me pareceu mais humano, por isso minha agonia.
Lúdico, mas ainda assim humano.
Tentar manter uma relação do seu jeito em vez de imediatamente tomar uma decisão racional é mais plausível.
Mais aceitável do que imediatamente cortar a cabeça de um lobisomem.
[Vou tomar um remedinho, já volto.]

Não é de hoje de que sou apaixonada pelo tema, pela caças às bruxas e pela ironia aos alicerces podres da igreja católica.
Enfim, os aspectos do prazer e da culpa na sexualidade feminina também chamaram a atenção.
E como gozar de todos os benefícios da sexualidade feminina gera culpa em nossos corpos e amedronta mentes!
Um dos reflexos de uma sociedade moralista e que o diretor Lars Von Trier levou ao extremo ao expor os corpos dos cônjuges.
Ao extremo de cortar um clitóris e de um pênis ejacular sangue. Cenas que não ficaram banais ou gratuitas.
As imagens sintetizam o extremo.



Exposição que afirmou mais ainda a passividade da relação e o sadismo do terapeuta.
Além disso, gostei dos símbolos das bolotas das árvores, da floresta, da raposa, do veado e do corvo. Ajudou a aumentar o grau de “insanidade”.



Termino dizendo que não desagüei numa conclusão.

 Somente gostei do exercício de indagação que o filme me proporcionou.